sábado, 28 de fevereiro de 2015

Presidente garante clube no Cariocão

Dirigente explica em detalhes os motivos para encerrar a parceria com as Forças Armadas

Quando tudo parecia definido para o Grêmio Mangaratibense, eis que tudo foi por água abaixo. A parceria com as Forças Armadas se mostrava sólida. Com amistosos e estrutura cedida no quartel da Urca, a equipe vinha seguindo sua preparação. Mas, algo incomodou o presidente do clube, Alexandre Garcia que resolveu dissolver os acordos que, segundo ele, não foram cumpridos à risca pela Exata, empresa gestora e que foi o elo do clube com o Exército. Ao contrário do que foi especulado, o presidente do clube procurou a reportagem do Furando a Rede para explicar os verdadeiros e reais motivos que o fizeram desistir da parceria. Alexandre Garcia fala quando começou o projeto e quando começou a detectar que poderia ter algo errado.

Alexandre Garcia: - Em setembro do ano passado, o Exército procurava um clube que estivesse limpo e com suas certidões em dia, enxuto, sem dívidas, e o Grêmio Mangaratibense é um dos poucos nessa situação. Conversamos e iniciamos uma parceria pra gente utilizar as dependências da Urca, e eles iam fazer alguns editais para a contratação de Sargentos, atletas Sargentos temporários que seriam atletas de futebol profissional, transformariam eles em militares com o intuito de disputar o Mundial na Coréia em setembro desse ano, e a parceria se estabeleceu. A gente mantém o clube treinando lá, os nossos atletas se tornariam em sargentos, disputariam a Série B do Carioca e logo em seguida, como são militares, temporários, mas militares, disputariam o Mundial. Disse.

FURANDO A REDE: Se estava tudo perfeito, o que ocorreu para que o senhor tomasse a decisão de acabar com a parceria?

Alexandre Garcia: - Estava tudo perfeito, até que o documento que teria que ser aceito, o documento de convênio, que seria um convênio entre o clube e a União, as Forçar Armadas. Esse documento teria que ir para Brasília, para sair em Diário Oficial, uma coisa formalizada. E de novembro pra cá não veio o documento, o convênio, pra ser assinado por mim, e pelo General. Eu fiquei muito apreensivo em ter um time competitivo para a segunda divisão. Se eles colocariam só militares pra disputar, e todos nós sabemos que disputar uma série B somente com militares de carreira corre o sério risco de cair para a Série C, e todo o trabalho que nós tivemos seria jogado fora. É tudo muito bonito, um campo de treinamento muito bem cuidado, uma academia muito bonita, mas a qualidade técnica dos jogadores eu não estava vendo. Uma vez que os editais não estavam acontecendo, o Edital de Convocação para Sargento não saiu também. Restando uma semana para iniciar o campeonato eu não vi até hoje Edital para Convocação de Sargentos Temporários. Então, tive que tomar uma atitude radical, ou eles me apresentam o documento de convênio pra eu assinar e conseqüentemente os editais para a convocação de sargentos, pra eu ter uma segurança em relação a salários de jogadores, e tudo mais. Até hoje eu não tenho isso em mãos e nem a perspectiva de receber isso nos próximos meses.

FURANDO A REDE: Essa decisão foi tomada de uma hora para a outra. Como foi a reação da diretoria?

Alexandre Garcia: - Eu cheguei a conclusão, conversei com a diretoria do clube, que a gente corria o sério risco de cair para a Série C e fazer um campeonato horrível. Temos um cariocão muito forte este ano, com Goytacaz, Americano, America, Portuguesa e Olaria, ou seja, são times de tradição e pra jogar com um time só de militares, só de carreira, ia ser um vexame muito grande. Quem entende de futebol sabe que seria um massacre e eu decidi imediatamente intervir, desfiz a parceria e fiz contato com atletas de auto rendimento que já passaram pelo clube para montar uma equipe imediatamente para disputar a Série B.

FURANDO A REDE: E como será essa montagem rápida de um time que estreia em uma semana?

Alexandre Garcia: - Eu tive umas reuniões com todos os atletas que eu convoquei para essa guerra que vai se estabelecer a partir de agora com uma semana para se preparar um time que teria que ser preparado em três meses. Esses jogadores já estavam em trabalhos físicos em outros clubes, eles deixaram esses clubes e vieram pra cá porque sabem que aqui o trabalho é sério. A gente quer subir, os jogadores abraçaram a causa, e nós vamos fazer um ajuste de competição, ou seja: como a parte física está em dia, vamos analisar a parte tática. O treinador também entrou na guerra e vai fazer uma preparação de jogo a jogo. Ele disse que até a quinta rodada o time vai perder em conjunto, mas vai usar estratégia de jogo. Ele acredita que em quinze minutos lê o adversário, faz um estudo, pra ganhar nos detalhes, pra jogar nos erros dos adversários, é o que ele tem pra fazer nesse momento. Vai ser jogo a jogo, até a quinta rodada, após isso ele equilibra a equipe para a competição. E depois teremos o segundo turno pra recuperar. É o planejamento que foi estabelecido, nesse momento, eu assinei embaixo, prefiro correr o risco com atletas que são profissionais do que correr o risco com atletas que não são profissionais e sim militares de carreira.

FURANDO A REDE: E o que se faz com a preparação de seus jogadores que estiveram na Urca? E o time que lá ficou?

Alexandre Garcia: - Inclusive, nessa preparação que eles tiveram na Urca, eu vi alguns jogos e não gostei do que vi. Um time sem personalidade, sem criatividade, sem poder ofensivo. Enviei alguns reforços para serem integrados a equipe e quando o atleta se apresentou a mando do presidente do clube, eles dispensaram sem ao menos ver o potencial deles. Isso me deixou também contrariado. Isso foi mais um motivo pelos quais eu tomei essa decisão com muita segurança. Fizemos um pacto com os atletas, e vamos mostrar na competição que eu estou totalmente certo. Se permanecesse daquela forma, eu não teria comando sobre o que estava acontecendo lá.

FURANDO A REDE: A partir de agora será correria para inscrever os jogadores. Como está sendo feito isto?

Alexandre Garcia: - Com a convocação que fiz com os jogadores, peguei a documentação de todo mundo, estão todos já documentados, meu pessoal de informática já está trabalhando e teremos na segunda-feira (2) até o meio dia todos os jogadores inscritos. Teremos a volta do João Francisco, ele será o Gerente de futebol, e é por isso que eu tenho uma força muito importante, um cara super campeão, e isso me dá muito mais força para continuar nesse caminho. O nosso técnico, o Márcio Goulart, vai trabalhar muito, é competente, e vamos seguir firme nesse cariocão da Série B.

O Grêmio Mangaratibense estreia contra a Portuguesa, dia 7 de março, no estádio Luso Brasileiro, na Ilha do Governador.


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